Para quem importa, a alta do dólar importa

Sabe sua ceia de Natal? É bem provável que neste ano, você tenha que dar uma “tropicalizada” nela, substituindo algumas delícias importadas.

Isso porque, segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), houve um corte de cerca de 30% no volume importado de alguns produtos mais vendidos no Natal e Ano Novo. Itens como alimentos, bebidas e enfeites, sobretudo os chineses, foram os mais afetados com essa redução, por serem mais caros em reais ao consumidor e terem um risco de encalhe maior.

Tio Sam é democrático

Mesmo após as eleições presidenciais por aqui, o dólar se mantém em alta para os padrões e bolsos brasileiros, embora tenha voltado aos R$ 3,70 do início de agosto deste ano. “Ah, mas eu não me importo em pagar um pouco mais caro para ter a ceia que gosto”. É mesmo? Então sugiro que dê uma lida neste artigo para entender melhor como o dólar afeta seu bolso. Aliás, a moedinha do Tio Sam afeta todos nós.

Para se ter uma ideia, de janeiro a setembro deste ano, a variação do dólar chegou a 32,9%, batendo R$ 4,20 no mês de setembro, maior valor desde a criação do Plano Real, há 14 anos. Enquanto a moeda do Tio Sam sobe, o poder de compra da população desce.

Importador paga duas vezes?

Dependendo do câmbio do dia, sim! Além de pagar mais reais para trazer os produtos do exterior, as empresas ainda precisam nacionalizar essa mercadoria. Isso significa que devem pagar todos os impostos, despesas e taxas com frete portuário, porém, baseando-as na cotação do câmbio do dia anterior à data do desembarque do produto no porto. Ou seja, elas perdem no âmbito cambial e tributário.

Criatividade para reduzir prejuízos

As empresas que mantiveram o volume de encomendas de final de ano, apostando em uma trégua do dólar após as eleições, acertaram na estratégia. Por terem adiado os embarques no exterior, conseguiram colocar seus produtos no mercado a preços competitivos. E se tem algo que esse pessoal da importação entende, é a importância do cuidado ao precificar seus produtos para compensar os gastos no exterior e manter a clientela.

Muitas vezes, para sair do aperto causado pela variação cambial é preciso recorrer a algum tipo de linha de crédito. Mas esse é assunto para a nossa próxima Pau$a para Conver$a.

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